Meus dados foram usados sem permissão? Conheça seus direitos pela LGPD

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Cada clique, cada compra, cada cadastro, cada interação online gera dados sobre você: seu nome, sua localização, seus gastos, até seus próximos desejos. O que pouca gente sabe é que essas informações valem dinheiro — e são negociadas por empresas e no mercado paralelo, muitas vezes sem o seu conhecimento ou consentimento.

A boa notícia: desde a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD — Lei 13.709/2018), você deixou de ser um espectador passivo. A lei deu ao cidadão brasileiro controle real sobre os próprios dados e criou mecanismos para exigir transparência, exclusão e até indenização. Entenda como usar essa ferramenta a seu favor.

O que a LGPD garante para você?

A LGPD foi criada para empoderar o titular dos dados — ou seja, você. Ela obriga qualquer empresa que colete, armazene ou utilize informações pessoais a seguir regras rígidas de transparência e consentimento. Na prática, a lei garante que você tenha o direito de:

  1. Saber quem tem seus dados — toda empresa deve informar quais dados coleta, para que serve e com quem compartilha
  2. Pedir a exclusão — você pode exigir que seus dados sejam apagados quando não forem mais necessários ou quando o consentimento for revogado
  3. Corrigir informações — dados incorretos ou desatualizados devem ser retificados
  4. Revogar o consentimento — o “sim” dado para o uso dos seus dados pode ser retirado a qualquer momento, de forma fácil
  5. Receber indenização — se a empresa causar dano material ou moral pelo uso indevido, ela responde pelos prejuízos

O que é consentimento e por que ele importa?

O consentimento é a base central da LGPD. Ele precisa ser livre, informado e inequívoco — ou seja, você precisa saber exatamente para que seus dados serão usados e concordar de forma clara. Caixas pré-marcadas, letras miúdas ou silêncio não valem como autorização válida.

Se a empresa coletou seus dados sem uma base legal adequada — ou os usou para finalidade diferente da que foi informada —, o tratamento é ilícito. E é exatamente aí que os seus direitos de exigir a exclusão e buscar reparação ganham força.

E se meus dados vazarem ou forem usados indevidamente?

Esse é o cenário que mais gera ações na Justiça. Quando há vazamento, uso indevido ou venda de dados sem autorização, você pode:

  • Reclamar na ANPD — a Autoridade Nacional de Proteção de Dados recebe denúncias e pode aplicar sanções, incluindo multas de até 2% do faturamento da empresa (limitadas a R$ 50 milhões por infração)
  • Ajuizar ação de indenização — a LGPD reconhece expressamente o direito à reparação por danos materiais e morais (artigo 42)
  • Exigir a exclusão imediata — o direito ao apagamento (artigo 18) pode ser exercido diretamente contra a empresa ou por meio de ordem judicial

Cada caso é analisado individualmente: a extensão do vazamento, a natureza dos dados expostos e o impacto na sua vida determinam o valor da reparação.

Passo a passo: o que fazer agora

Se você suspeita que seus dados foram usados sem permissão, siga este roteiro:

  1. Reúna provas — prints de mensagens, e-mails, notificações de vazamento e registros de cadastros não autorizados
  2. Formule o pedido à empresa — solicite formalmente informação sobre quais dados foram tratados e peça a exclusão (a empresa tem prazo para responder)
  3. Guarde a resposta — a recusa ou o silêncio da empresa fortalecem seu caso
  4. Reclame na ANPD — registre a denúncia no canal oficial da Autoridade Nacional de Proteção de Dados
  5. Procure um advogado especializado — para avaliar danos, notificar a empresa e, se necessário, ajuizar ação de indenização

Conclusão

Sua privacidade não é apenas um direito — é um patrimônio que precisa de proteção ativa. A LGPD existe justamente para devolver a você o controle: saber quem tem seus dados, para que serve e como exigir que tudo seja apagado. Mas a lei só funciona para quem a conhece e a exercita.

Se uma empresa está lucrando com seus dados sem a sua autorização, você não precisa aceitar isso em silêncio. O direito existe — e ele começa com uma conversa com quem entende do assunto.

Dúvidas sobre seus dados e a LGPD? Fale com a Senna Martins Advogados.

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