Formulário Rogéria e Fonar offline: CNJ amplia a proteção de mulheres e pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou uma novidade que pode salvar vidas: agora é possível preencher offline o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar) e o Formulário de Registro de Ocorrência Geral de Emergência e Risco Iminente às Pessoas LGBTQIA+ (Formulário Rogéria).

A mudança é simples na aparência, mas profunda no impacto. Antes, o preenchimento dependia de conexão com a internet — o que podia falhar justamente nos momentos mais críticos, quando a vítima precisava de atendimento imediato. Agora, os dados são armazenados com segurança no dispositivo e sincronizados automaticamente assim que a conexão retorna, garantindo continuidade no atendimento.

Neste artigo, você vai entender o que são esses formulários, por que a novidade é tão importante e como ela amplia a proteção de mulheres e pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência.


O que é o Fonar

O Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar) é um instrumento criado pelo CNJ para avaliar o risco de violência a que uma vítima está exposta. Ele é usado principalmente em casos de violência doméstica e familiar, especialmente contra a mulher.

Para que serve o Fonar:

  • Avaliar o grau de risco de novas agressões ou de feminicídio.
  • Orientar o juiz na decisão sobre medidas protetivas de urgência.
  • Identificar os fatores de risco presentes no caso concreto.
  • Subsidiar a atuação da rede de proteção (polícia, Ministério Público, Defensoria, Judiciário).

Como funciona:

  • A vítima responde a um questionário sobre a situação de violência.
  • O formulário identifica fatores de risco como ameaças, uso de armas, histórico de agressões e ciúmes extremo.
  • Com base no resultado, o juiz decide com mais segurança sobre a concessão de medidas protetivas.

O Fonar é uma ferramenta essencial para prevenir o feminicídio, ao permitir que o Judiciário identifique os casos de maior risco e atue com prioridade.


O que é o Formulário Rogéria

O Formulário Rogéria é um instrumento criado para registrar situações de emergência e risco iminente às pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência. Ele recebeu esse nome em homenagem a Rogéria, a “diva” do teatro brasileiro, símbolo da população trans e da luta por direitos.

Para que serve o Formulário Rogéria:

  • Registrar emergências e riscos iminentes enfrentados por pessoas LGBTQIA+.
  • Garantir o acolhimento e a proteção em situações de violência.
  • Subsidiar a atuação da rede de proteção e do Judiciário.
  • Dar visibilidade às violências específicas que atingem a população LGBTQIA+.

Por que é importante:

  • A população LGBTQIA+ sofre violências específicas, muitas vezes invisibilizadas.
  • A homofobia e a transfobia são crime desde 2019 (STF), mas as vítimas ainda enfrentam barreiras para acessar a proteção.
  • O formulário ajuda a mapear e responder a essas situações de risco.

O Formulário Rogéria é um avanço no reconhecimento de que a proteção contra a violência deve alcançar todas as pessoas, em todas as suas diversidades.


A novidade: o preenchimento offline

A novidade anunciada pelo CNJ é que ambos os formulários agora podem ser preenchidos offline, ou seja, sem conexão com a internet no momento do atendimento.

Como funciona:

  • A vítima ou o profissional de atendimento preenche o formulário no dispositivo.
  • Os dados são armazenados com segurança no aparelho.
  • Quando a conexão com a internet retorna, os dados são sincronizados automaticamente com o sistema.

Por que isso é importante:

  • Continuidade do atendimento: a falta de conexão não interrompe mais o preenchimento.
  • Proteção em áreas remotas: vítimas em locais sem internet não ficam desamparadas.
  • Agilidade: o registro pode ser feito no momento do risco, sem esperar por conexão.
  • Segurança dos dados: o armazenamento no dispositivo é feito com proteção, e a sincronização é automática.

A novidade garante que a proteção não dependa da internet — um detalhe técnico que, na prática, pode salvar vidas.


O contexto: os programas Justiça Plural e Justiça 4.0

A iniciativa integra as ações de dois programas do CNJ, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud):

Justiça Plural: Focado na promoção dos direitos humanos e no enfrentamento das violências, incluindo a violência doméstica e a violência contra a população LGBTQIA+. É o programa que dá origem a iniciativas como o Formulário Rogéria.

Justiça 4.0: Focado na transformação digital do Judiciário, com o uso de tecnologia para ampliar o acesso à Justiça e a eficiência dos serviços. É o programa que viabiliza a solução técnica do preenchimento offline.

A combinação dos dois programas mostra como tecnologia e direitos humanos caminham juntos: a inovação digital (Justiça 4.0) é usada para ampliar a proteção (Justiça Plural).


A proteção de mulheres e pessoas LGBTQIA+ na prática

A novidade do CNJ se soma a um conjunto de instrumentos de proteção que já existem no direito brasileiro. Conhecê-los é essencial para quem precisa de ajuda ou quer ajudar.

Para mulheres vítimas de violência doméstica:

  • A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) é a principal ferramenta de proteção.
  • As medidas protetivas de urgência podem ser solicitadas em delegacias, Defensoria ou Ministério Público.
  • O Fonar ajuda a avaliar o risco e a orientar a decisão sobre as medidas.
  • O Ligue 180 é o canal de denúncia e orientação (Central de Atendimento à Mulher).

Para pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência:

  • A homofobia e a transfobia são crime desde 2019 (STF, ADO 26 e MI 4733).
  • O Formulário Rogéria ajuda a registrar emergências e riscos iminentes.
  • A vítima pode registrar boletim de ocorrência e buscar medidas de proteção.
  • O Disque 100 é o canal de denúncia de violações de direitos humanos.

A combinação de formulários, leis e canais de denúncia forma uma rede de proteção que busca alcançar todas as vítimas.


O que fazer em caso de violência

Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, saiba que existe ajuda e que os passos a seguir podem salvar vidas:

1. Priorize a segurança. Em situação de risco iminente, busque um local seguro e, se necessário, acione a polícia (190).

2. Registre a ocorrência. Vá a uma delegacia (idealmente a Delegacia da Mulher) ou registre o boletim de ocorrência. Para pessoas LGBTQIA+, o registro pode ser feito em qualquer delegacia.

3. Peça medidas protetivas. Solicite as medidas protetivas de urgência, que podem incluir o afastamento do agressor e a proibição de aproximação.

4. Busque a rede de apoio. Defensoria Pública, Ministério Público, centros de referência e organizações da sociedade civil oferecem apoio jurídico e psicossocial.

5. Denuncie pelos canais oficiais.

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher.
  • Disque 100: violações de direitos humanos.
  • 190: emergência policial.

6. Busque orientação jurídica. Um advogado pode orientar sobre os direitos, as medidas cabíveis e o andamento do processo.

A proteção existe, mas depende de ação. Conhecer os caminhos é o primeiro passo para acessá-la.


A proteção na prática: resumo

InstrumentoO que protegeComo acessar
Lei Maria da PenhaMulheres vítimas de violência domésticaDelegacia, Defensoria, MP
Medidas protetivasAfastamento do agressor, proibição de contatoSolicitar na delegacia ou Justiça
FonarAvaliação de risco de violênciaPreenchido na rede de proteção
Formulário RogériaPessoas LGBTQIA+ em risco iminentePreenchido na rede de proteção
Ligue 180Mulheres vítimas de violênciaCentral de atendimento
Disque 100Violações de direitos humanosCentral de denúncia

Como um advogado pode ajudar

A proteção contra a violência é uma luta que envolve o direito, e o advogado é um aliado essencial:

  • Orienta sobre as medidas protetivas e os caminhos para solicitá-las.
  • Atua na garantia de direitos em casos de violência doméstica e LGBTQIA+fobia.
  • Acompanha o processo e defende a vítima em todas as etapas.
  • Busca indenização por danos morais e materiais.
  • Defende a dignidade da vítima em cada caso concreto.

Se você é vítima de violência, ou conhece alguém nessa situação, saiba: você não está sozinho, e o direito está do seu lado.


Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o Fonar? É o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, criado pelo CNJ para avaliar o grau de risco de violência a que uma vítima está exposta, especialmente em casos de violência doméstica.

O que é o Formulário Rogéria? É um formulário do CNJ para registrar situações de emergência e risco iminente às pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência, em homenagem à artista Rogéria.

O que muda com o preenchimento offline? Os formulários agora podem ser preenchidos sem conexão com a internet, com os dados armazenados com segurança no dispositivo e sincronizados automaticamente quando a conexão retorna.

Por que o preenchimento offline é importante? Garante a continuidade do atendimento, protege vítimas em áreas sem internet, agiliza o registro no momento do risco e amplia o acesso à proteção.

O que fazer em caso de violência doméstica? Priorizar a segurança, registrar ocorrência, pedir medidas protetivas, buscar a rede de apoio e denunciar pelo Ligue 180 (mulheres) ou Disque 100 (direitos humanos).

Como um advogado pode ajudar? Orientando sobre medidas protetivas, acompanhando o processo, buscando indenização e defendendo a dignidade da vítima.


Conclusão

A novidade do CNJ — o preenchimento offline do Fonar e do Formulário Rogéria — é um avanço silencioso, mas profundo. Ela garante que a proteção de mulheres e pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência não dependa da internet, um detalhe técnico que, na prática, pode salvar vidas.

A iniciativa integra os programas Justiça Plural e Justiça 4.0, mostrando como tecnologia e direitos humanos caminham juntos: a inovação digital é usada para ampliar a proteção.

Mas a proteção não se resume a formulários. Ela envolve a Lei Maria da Penha, as medidas protetivas, os canais de denúncia e a atuação de advogados e da rede de apoio. Conhecer esses instrumentos é o primeiro passo para acessá-los.

Se você é vítima de violência, ou conhece alguém nessa situação, não fique sozinho. Busque ajuda — psicológica, afetiva e jurídica. E lembre-se: você tem direitos, e eles podem ser exercidos.

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