Senna Martins Advogados

O Fim do Imposto de Renda na Herança? Justiça Federal Barra a Bitributação em Inventário

A 13ª Vara Federal de Porto Alegre afastou o IR sobre ganho de capital em inventário: herança não é acréscimo patrimonial e a valorização já foi tributada pelo ITCMD. Entenda a decisão de 27/10 e a estratégia preventiva do mandado de segurança.


A decisão que barrou a bitributação sobre a valorização de bens em inventário — e o detalhe estratégico que quase ninguém percebe. A Justiça Federal de Porto Alegre acabou de afastar a cobrança de Imposto de Renda sobre o ganho de capital na transferência de bens aos herdeiros, em decisão recente (27/10) que já virou referência no meio tributário. Este artigo explica o entendimento, o problema da bitributação com o ITCMD e a lição de timing que protege patrimônios.

1. O que decidiu a Justiça Federal

A 13ª Vara Federal de Porto Alegre concedeu segurança ao espólio: a Receita não pode cobrar IR sobre a diferença entre o valor histórico dos bens e o valor de mercado adotado na transferência aos herdeiros.

Na prática, o caso envolvia bens avaliados a valor de mercado no inventário — o que, para a Receita, configuraria “ganho de capital” tributável. O juiz entendeu que não: a transmissão hereditária não gera renda tributável, mesmo quando os bens valorizaram.

2. O entendimento técnico: herança não é acréscimo patrimonial

A base lógica da decisão é o conceito constitucional de renda (art. 153, III, da Constituição Federal), aplicado com precisão:

  • O IR pressupõe riqueza nova — um acréscimo patrimonial.
  • A transmissão hereditária é o contrário: é a extinção de espólio. O patrimônio do espólio só diminui, até se extinguir, na medida em que é transferido aos herdeiros.
  • Sem acréscimo, sem ganho de capital. O herdeiro não “ganhou” riqueza nova: recebeu o patrimônio que já existia, pela via que a lei define.

É o tipo de raciocínio que desmonta a cobrança na raiz: não se trata de cálculo menos favorável ou de isenção — trata-se de ausência de fato gerador.

3. A bitributação: a valorização já foi tributada pelo ITCMD

O segundo pilar da decisão é o duplo tributo sobre o mesmo fato. Se os bens foram avaliados a valor de mercado para calcular o ITCMD (o imposto estadual da herança), cobrar IR sobre essa mesma valorização seria pagar duas vezes pela mesma avaliação.

O juiz viu o duplo tributo e cortou. A consequência prática para inventários:

CobrançaBaseSituação
ITCMD (estadual)Valor de mercado dos bensDevido, no fato gerador da transmissão
IR sobre ganho de capitalA mesma valorizaçãoAfastada — bitributação

4. O pulo do gato estratégico: o timing do mandado de segurança

O detalhe que quase ninguém percebe — e que separa o patrimônio protegido do patrimônio em risco: a ação foi preventiva. Um Mandado de Segurança impetrado ANTES da declaração final de espólio.

A lógica do timing:

  • Quem espera a cobrança chegar para impugnar discute o lançamento depois de constituído — com multa, juros e execução em curso.
  • Quem planeja, impetra antes e trava o lançamento antes de ele sequer nascer.

Essa diferença de timing é o que protege patrimônios: o remédio usado na hora certa evita o litígio caro de depois.

5. Nota de rigor

⚠️ É decisão de 1º grau (Processo nº 5039526-66.2026.4.04.7100), sujeita a reexame e recurso da União. Não é tese consolidada — mas reforça a viabilidade de medidas preventivas em inventários com bens valorizados, especialmente para espólios com imóveis, participações societárias e ativos que valorizaram desde a aquisição.

6. Perguntas frequentes

A Receita pode cobrar IR sobre ganho de capital na herança? Segundo a decisão da 13ª Vara Federal de Porto Alegre (27/10), não: a Receita não pode cobrar IR sobre a diferença entre o valor histórico e o valor de mercado na transferência aos herdeiros.

Por que herança não é renda tributável? Porque o IR pressupõe acréscimo patrimonial, e a transmissão hereditária é extinção de espólio: o patrimônio só diminui até se extinguir. Sem acréscimo, sem ganho de capital — conforme o art. 153, III, da CF.

O que é a bitributação apontada na decisão? Cobrar IR sobre a mesma valorização que já fundamentou o ITCMD estadual — pagar duas vezes sobre o mesmo fato gerador. O juiz viu o duplo tributo e afastou o IR.

A decisão vale para todos os inventários? É decisão de 1º grau, sujeita a reexame e recurso da União. Não é tese consolidada, mas reforça a viabilidade de medidas preventivas em inventários com bens valorizados.

O que é o mandado de segurança preventivo no inventário? É a impetração antes da declaração final de espólio, travando o lançamento do IR antes de ele ser constituído — evitando a discussão posterior com multa, juros e execução.

Quando agir em um inventário com bens valorizados? Antes: com planejamento sucessório e, quando cabível, mandado de segurança preventivo — o timing é o que protege o patrimônio.

Conclusão

A decisão da 13ª Vara Federal de Porto Alegre acerta na raiz: herança não é riqueza nova, é extinção de espólio — e cobrar IR sobre a valorização que o ITCMD já tributou é pagar duas vezes pelo mesmo fato. Enquanto a União pode recorrer, a lição estratégica é permanente e vale já: o planejamento sucessório com medidas preventivas, na hora certa, trava o lançamento antes de ele existir. Patrimônio se protege com timing — não com impugnação tardia.

O que você acha dessa decisão? Se você tem um inventário com bens valorizados ou quer planejar sua herança, o Senna Martins Advogados pode avaliar o seu caso. Fale conosco pelo WhatsApp 19 4042-1216, acesse www.sennamartins.com.br ou chame no @senna_martins_advogados. Avalie nosso atendimento no Google: https://g.page/r/CWYQ6nsmcRTIEBM/review.